Economia seria o principal argumento daqueles
que compram carros com motor 1.0. Mas através
deste texto, você poderá ver que
a economia de combustível não é
a grande oferta desses carros.
Tudo começou quando o governo reduziu
a alíquota de IPI para veículos
com essa motorização. A Fiat foi
a primeira a disponibilizar um veículo
1.0, o Uno Mille, em 1992, com relativo sucesso,
o que fez as outras montadoras entrarem nessa
disputa. A Chevrolet lançou o Corsa 1.0
Efi em 94, a Volkswagen lançou o Gol 1000
(modelo antigo) em 94. Como a concepção
do carro 1.0, chamado de popular, é ter
um baixo custo, não levaram em consideração
o fato de baixar potência trazer insegurança
em algumas situações.
A principal proposta do veículo 1.0 na
época era a economia, o desempenho ficou
em segundo plano. Pois se acreditava que economia
e um desempenho melhor não combinavam.
A princípio, o veículo 1.0 é
econômico, mas dependendo da situação
pode não ser. Esse motor por ter pouca
potência e força, faz com que o motorista
tenha que constantemente reduzir de marchas para
poder encarar as subidas e ladeiras. Andar tranqüilamente
com o veículo lotado de passageiros, nem
pensar! Com muito peso no carro, o motor tem muita
dificuldade de locomoção, fazendo-o
ficar ainda mais lento. Tente subir uma ladeira
com cinco pessoas dentro, vai passar momentos
desagradáveis ao volante. Economia de combustível
não é o grande trunfo dos populares.
O veículo possui um desempenho aceitável
quando tem apenas o motorista no carro e circulando
em ruas planas. Ao menor sinal de subida o carro
já começa a perder força.
Siga meu raciocínio. A diferença
de consumo de um 1.0 em comparação
a um 1.6 não é tão grande,
e como você sabe as marchas onde o veículo
tem mais força (1º, 2º e 3º)
são os que mais fazem aumentar o consumo.
Nos veículos 1.0 em muitas situações,
como ultrapassagens e subidas é necessário
reduzir as marchas para o veículo ter força
para concluir a manobra, fazer isso é muito
comum em carros 1.0, e nos veículos de
maior cilindradas geralmente não é
necessário. Nisso o 1.0 consome mais. Quem
é de São Paulo e já foi pro
litoral num veículo 1.0 sabe que é
muito desagradável viajar num carro 1.0,
o carro lotado de pessoas e mais bagagens fica
muito fraco, mas o pior não é isso,
o pior é ter que encarar a subida da serra
parece que é uma pista simples, porém
o veículo fica sem força, fazendo
o motorista abusar muito da terceira marcha, em
muitos casos até segunda. Num veículo
de maior cilindrada, é possível
usar a quinta marcha tranqüilamente. Daí
no final da viagem o veículo 1.0 gasta
mais do que outro de maior cilindrada. É
comum encontrar motoristas que trocaram seus veículos
1.0 por um de maior cilindrada e ainda diz que
consegue manter o mesmo consumo ou até
mesmo economizar, isso acontece em locais onde
a topografia não é muito plana,
ou então pra quem viaja muito.
A tecnologia ajudou muito no desenvolvimento
de novos motores. Para que você possa ter
uma idéia, o primeiro veículo 1.0
tinha 47cv. Hoje temos veículos 1.0 de
até 79cv. Legal, 79 cavalos num veículo
1.0, mas tem mais potência que alguns motores
maiores, será que é mais forte?
Não. A potência medida em cavalos
(cv) não é o principal ítem
que o motorista deve olhar, o que garante um bom
desempenho no trânsito é o torque.
O torque nada mais é força necessária
para fazer o veículo se movimentar. Mas
você tem que ficar atento a algo muito importante,
a faixa de giro (rpm), que é necessária
para atingir o torque máximo. Para que
fique claro, a rotação média
que os motoristas costumam trocar as marchas e
conduzir seu veículo normalmente é
de 3 mil rpm, mas os veículos 1.0 só
atingem seu torque máximo num giro muito
elevado, vamos supor que seu carro tenha 70cv
a 6000 rpm e torque de 9,0 k.mfg a 4900rpm. Se
você troca as marchas na média de
3 mil rpm, você não está usando
toda a força do motor.
As montadoras, atualmente, estão investindo
em motores 1.3 e 1.4, que possuem um torque um
pouco melhor, o suficiente para um desempenho
satisfatório. O que faz esses terem um
bom desempenho no trânsito é o fato
de todo o seu torque ser atingido em média
antes dos 3 mil rpm, ou seja, no trânsito
você usará toda a força do
carro sem precisar ficar reduzindo e esticando
as marchas. Além de mais potentes, esses
motores ainda são até mais econômicos
que os 1.0.
Para que você possa entender um pouco sobre
os dados dos motores, fiz uma média dos
motores mais usados aqui no Brasil. O torque médio
de um motor 1.3/1.4 é em torno de 12,0
m.kgf e os motores 1.0 mais antigos ficaram em
torno de 8,0 m.kgf e os mais novos em torno de
9,1 m.kgf. Olhando esses dados não parece
muita a diferença, mas como já foi
dito antes, o problema é a faixa de giro
do motor pra conseguir atingir esses valores.
Os 1.3 e 1.4 atingem potência máxima
antes dos 3 mil rpm, e os 1.0 geralmente depois
dos 6 mil rpm, ou seja, se você tem 9 m.kfg
de torque no 1.0 no dia-a-dia você não
o usa, pois não tem cabimento ficar esticando
marcha até 6 mil rpm, o que faria o consumo
aumentar muito e a vida útil do motor diminuir
significativamente.
Assim, os veículos com motores de maior
cilindrada - o 1.3 e o 1.4 são ótimos
exemplos - se tornam mais potentes e econômicos
que os de 1000 cilindradas. Pense a respeito antes
de comprar um carro supostamente econômico.
Texto: José Araujo
Colaboração: Willian Carlini
Data: 03/10/2005
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